Resenha de " Diário ( não tão ) secreto de Yasmin"


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Mãe e filha, tão diferentes, tão iguais." A frase que abre o livro de Michelle Paranhos , Diário (não tão) Secreto de Yasmin, já nos convida a mergulhar em uma jornada de amadurecimento e descobertas.


 A autora constrói uma história envolvente, que, além de ser um romance, é um portal para a rica e fascinante cultura japonesa, suas crenças e misticismos.


A narrativa acompanha a jovem Keiko, que inicialmente pode parecer mimada e birrenta, mas que, ao longo do tempo, nos surpreende com sua transformação. 


Vivendo em um cenário mágico, Keiko é o contraponto de sua mãe, Yasmin, uma mulher que teve sua cota de sofrimento ao ser inserida em uma família com costumes rígidos. A relação entre as duas é o cerne da obra, um conflito de gerações e valores que ressoa com a experiência de muitos leitores. Yasmin sonha em reviver os momentos felizes de seu passado através da filha, mas descobre que Keiko não encontra prazer nos rituais sagrados, estabelecendo a base para o desenvolvimento das personagens.


Um enredo que equilibra entre  o Real e o Místico o livro  é um exemplo de escrita fluida e cuidadosa, com personagens bem construídos e cenários descritos com vivacidade,  é quase possível visualizar a pousada, os jardins e as cerejeiras em flor


A temática é rica e diversificada, abordando desde o ritual do chá e festividades japonesas até a religião budista e o mundo dos youkai, como a trágica Haruka, que se transforma em um espírito vingativo após a dor de perder o filho.


Essa mitologia se entrelaça com temas do mundo real, como conflitos familiares, bullying e racismo. A autora constrói uma ponte intrigante entre os dois mundos, usando as lendas e crenças para aprofundar as questões humanas.


 O enredo, muito bem construído, é realista nas relações interpessoais e traz reflexões profundas sobre a necessidade de aceitação e a tristeza do preconceito, seja pela cor da pele ou por qualquer outra diferença.


Personagens que marcam e um final cheio de esperança

Além de Keiko e Yasmin, o livro apresenta personagens marcantes como a sábia Kitsune, a guardiã espiritual da família, e Kazuki, um jovem que representa o equilíbrio perfeito entre tradição e modernidade


Kazuki se destaca por seu respeito e capacidade de entender o "diferente", tornando-se um contraponto essencial para o amadurecimento de Keiko.


A trajetória de Keiko e Yasmin é descrita de forma planejada e crível. Keiko, de menina impulsiva, evolui para uma pessoa sábia, capaz de assumir responsabilidades. 


Yasmin, por sua vez, de figura conservadora, mostra uma vulnerabilidade que a humaniza, revelando que suas ações eram, muitas vezes, uma busca por aceitação.


O desfecho do livro oferece uma mensagem de esperança. A reconciliação entre mãe e filha simboliza a importância da maturidade, da aceitação e da possibilidade de seguir em frente. 


Ao final, a obra deixa uma reflexão poderosa: a necessidade de aceitar a missão que a vida nos oferece, por mais que tentemos fugir dela. 


A história de Michelle Paranhos  é um romance que não apenas encanta, mas nos faz pensar e refletir sobre a vida e a inevitável jornada para a aceitação e o autoconhecimento."


          

          

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